quarta-feira, 4 de junho de 2014

Betel: faculdade sem registro é acusada de suborno e falsificação de diplomas

Betel: faculdade sem registro é acusada de suborno e falsificação de diplomas

  
Ex-alunos da Faculdade de Teologia Batista Betel (FTBB) procuraram a reportagem da ContilNet Notícias para fazer graves denúncias. De acordo com o grupo de alunos, são diversas as irregularidades que estão acontecendo na faculdade.
Simone da Silva Pinheiro, que ingressou na faculdade em 2009 para cursar uma licenciatura em pedagogia a fim de tentar um concurso público junto ao Estado, teve seu sonho transformado em pesadelo.
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De acordo com Simone, ela e outros 52 estudantes que fizeram o curso tiveram seus certificados apontados como falsos/Foto: Willamis França/ContilNet Notícias

De acordo com Simone, ela e outros 52 estudantes que fizeram o curso tiveram seus certificados apontados como falsos, por advogados, em uma longa disputa jurídica. Simone, que prestou concurso público e ficou na 12ª colocação, concorrendo com 1.777 candidatos, foi aprovada e convocada a assumir a vaga como pedagoga.
Ela afirma ter passado em todos os certames e gastado em torno de R$ 1500 no processo. Após a aprovação no concurso, ela foi lotada na escola Ilca Maria de Lima, em 10 de fevereiro deste ano. A escola fica próxima à sua residência, no bairro Mocinha Magalhães. Simone conta ao jornalismo da ContilNet, com alegria, a convivência que teve com os alunos da 5º série do colégio onde lecionava.
Ela, que escolheu ser professora por amor à profissão, conta com riqueza de detalhes como tudo aconteceu. Segundo ela, no dia 18 de fevereiro às 16:30 horas, a Secretaria de Gestão e Administração do Estado (SGA) entrou em contato para informar que ela mesma havia desobedecido normas do edital.
Ao se apresentar na SGA, Simone foi informada que não tinha licenciatura em pedagogia e, sim, bacharelado. Neste momento, se iniciou o pesadelo de Simone. Ela procurou a faculdade para informar o ocorrido e recebeu a garantia de que a situação seria resolvida na mesma semana, pois algum equívoco havia acontecido.
A faculdade contratou um advogado, que entrou com um mandado de segurança para manter a professora em sala de aula, mas, no dia 28 do mês de maio, ela foi condenada a sair de sala de aula pelo Tribunal de Justiça, pois foi verificado que o certificado recebido pela Faculdade de Teologia Batista Betel (FTBB) era realmente falso.

Estudante afirma ter recebido proposta financeira para não procurar a imprensa
Não bastasse o sufoco ao Simone receber a decisão de afastamento da sala de aula, ela comentou com o pastor que, se não fosse resolvido nada, ela procuraria a imprensa para denunciar o caso.
Depois disso, ela e uma amiga receberam uma proposta de R$ 1.000 para não procurar a imprensa.
"Uma amiga aceitou o dinheiro, mas, R$ 1000 não vai pagar meu sonho de voltar à sala de aula", comenta Simone.
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Estudante afirma ter recebido proposta financeira para não procurar a imprensa
Ela diz que a faculdade oferece o curso de licenciatura em pedagogia, mas, na verdade, só certifica o bacharelado, o que não é repassado para os alunos da instituição, que além disso, não é reconhecida pelo MEC, segundo a denunciante.

Alguns dos alunos não precisaram estudar os três anos da licenciatura em pedagogia, pois já tinham cursos anteriores, como é o caso de Simone, que afirma se sentir lesada “com tamanha falta de compromisso com a verdade, na hora de seu ingresso na faculdade”.
Ela afirma que o pastor Francisco Albino de Souza, diretor-executivo e proprietário da faculdade, “tinha o costume rotineiro de passar por todas as salas de aulas, afirmando que o curso tinha reconhecimento pelo MEC”.
Raquel Elias da Rocha, que também foi lesada pela faculdade, denuncia que 52 pessoas, somente em sua turma, estão na mesma situação.
"Tínhamos que pagar R$ 200 de mensalidade e passar por provações; tive que levar meu filho aos sábados para a faculdade, fiz todos os trabalhos e, agora, simplesmente não vale nada", conclui Raquel.
O pastor, segundo a denunciante, também goza da “fama de marqueteiro da faculdade e tem como costume passar em salas de aula mostrando o certificado que a faculdade oferece, afirmando ter validade”.
Mesma faculdade já foi alvo de denúncias
Não é necessário muito esforço para saber que a Faculdade de Teologia Batista Betel (FTBB) já foi alvo de outras investigações, há pouco tempo. No começo de 2013, a então promotora de Defesa do Consumidor do Ministério Público Estadual, Alessandra Marques, abriu uma ação a fim de apurar denúncias de que a instituição estaria atuando sem o devido credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC).
Na ocasião, a diretoria da faculdade afirmou que o processo de credenciamento junto ao MEC já estava acontecendo.
A faculdade também foi alvo de uma investigação da Polícia Federal, em 2010, mas o processo foi arquivado.
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Simone mostra certificado emitido pela faculdade em seu nome

Desembargadora põe em cheque validade dos diplomas da FTBB
A decisão que envolve casos como o de Simone teve como relatora a desembargadora Regina Ferrari.
De acordo com a decisão, “não há dúvidas sobre a validade dos diplomas daqueles que hajam concluído o curso de pedagogia no grau de bacharel, até o fim de 2010”.
O documento, obtido com exclusividade pelo jornalismo da ContilNet, deixa claro que “os candidatos aprovados não possuem direito à nomeação”.
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O proprietário da faculdade, pastor Francisco Albino de Souza, tratou de negar quaisquer irregularidades envolvendo a Betel
Pastor nega denúncias e irregularidades em faculdade

Procurado pela ContilNet Notícias, o diretor-executivo e proprietário da faculdade, pastor Francisco Albino de Souza, tratou de negar quaisquer irregularidades envolvendo a Faculdade de Teologia Batista Betel (FTBB).
O pastor também critica a postura da SGA de nomear alguns candidatos com diploma na faculdade.
“Na mesma decisão, [a secretaria] afirma que uma aluna vai tomar posse em concurso. O diploma é o mesmo. Como explicar isto?”.
O pastor afirma, com todas as palavras, que o problema partiu da Secretaria de Educação e Esporte (SEE).
“Foi uma senhora [servidora da SEE] que criou toda essa situação, todo esse embaraço envolvendo os alunos; é tanto que a faculdade, em nenhum momento, fugiu. Pelo contrário, estamos junto com os alunos, prestando assessoria jurídica. Não tínhamos essa obrigação”.

CONTILNET NOTICIAS.

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