sábado, 25 de maio de 2013

Governo brasileiro ignora médicos formados na Bolívia

25/05/2013 - 04h00

Governo brasileiro ignora médicos formados na Bolívia

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FLÁVIA FOREQUE
JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
"Santa Cruz de la Sierra é um pedacinho do Brasil", define Samara Coco do Amaral, 27, estudante de medicina na maior cidade da Bolívia.
Ela faz parte de um grupo em expansão no país vizinho: brasileiros que migram para fazer a graduação --e que, na grande maioria dos casos, sonham em voltar para o país.
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A estimativa é de que 20 mil brasileiros estudem medicina na Bolívia atualmente, metade deles na cidade. Mesmo expressivo, esse grupo não está entre os prioritários na proposta do governo federal para "importar" médicos com diploma estrangeiro.
Editoria de Arte/Folhapress
O foco dessa iniciativa são profissionais de Portugal, Espanha e Cuba.
"No programa que estamos construindo, está afastada a possibilidade de trazer médicos formados em países com menos médicos do que o Brasil [em proporção ao tamanho da população]", disse à Folha o ministro Alexandre Padilha (Saúde). Entre eles, está justamente a Bolívia.
O fato é que a comunidade médica se mostra reticente em relação à qualidade dos cursos bolivianos. Entre os argumentos apontados estão poucas aulas práticas, a não exigência de processo de seleção ou de proficiência em espanhol para cursar as aulas e denúncias de compra de notas e venda de diplomas.
Cônsul-geral do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, o diplomata Colbert Soares reconhece que há "indicadores um pouco preocupantes" da rotina dos cursos, mas afirma que há expectativa dos brasileiros sobre a nova política.
RETORNO
Em geral, os brasileiros que decidem fazer o curso na Bolívia buscam, durante a graduação, transferir a matrícula para o Brasil. Quando não conseguem, tentam a revalidação do diploma.
Estudante do quinto semestre de medicina da Udabol, Samara afirma que ainda não sabe se retornará ao Brasil, mas elogia a iniciativa do governo. "O curso de medicina é bom. Professor ruim tem em qualquer lugar, tudo depende do aluno."
Natural de Rondônia, ela diz que um dos motivos que a levou à Bolívia foi o baixo custo da mensalidade: US$ 130.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Faculdade boliviana humilha brasileiros e cobra duas mensalidades dentro do mês



    Funcionária e segurança estão barrando quem não está em dia com pagamentos
    Alexandre Lima
    Faculdade foi interditada no início do ano porpagar os impostos devidos ao Governo - Foto: celular/cedidas
    Faculdade foi interditada no início do ano por não pagar os impostos devidos ao Governo – Foto: celular/cedidas
    Acadêmicos de medicina brasileiros que procuraram o país vizinho, Bolívia, para tentar realizar um sonho de se formar em medicina, estão passando por momentos de constrangimento na cidade de Cobija, capital do estado de Pando, e não estão tendo o direito sequer, de reclamar.
    Segundo foi denunciado pelos estudantes, os que chegaram no prédio localizado no centro de Cobija para estudar, mas, que estão com uma mensalidade pendente, estão sendo barrados por uma funcionária que busca informações num computador, para ver se estão em dia e tem a companhia de um segurança para intimidar.
    Fotos foram tiradas por celular dentro do prédio mostra a real situação da faculdade. Além da funcionária na entrada, os alunos estão sem bebedouros, banheiros e as cadeiras estão em condições precárias, além das salas sem ar-condicionado e computadores ligados a internet.
    faculdade em cobija_2faculdade em cobija_1
    Reclamam ainda que, os mestres estão sendo substituídos por médicos clínicos e a grade curricular não estão sendo cumpridas. “Não temos direito sequer de reclamar. Quando fazemos, dizem que temos de nos contentar com o que tem e como somos brasileiros, temos que acatar as leis deles…”, disse um aluno que pediu para não ser identificado por medo de represálias.
    Funcionária verifica antes dos alunos subirem, se estão a mesalidade está paga.
    Funcionária verifica antes dos alunos subirem, se estão a mensalidade está paga.
    Comentam ainda que, o valor cobrado na cidade de Cobija, é mais do dobro cobrado na cidade de Cochabamba, que tem muito mais estrutura. Mas, sem poderem estudar lá, se submetem ao que impõem aqui na fronteira.
    Essa não seria a primeira denuncia feita contra a Universidade Privada Cosmos – UNITECP, na cidade de Cobija. No início deste ano, as aulas sofreram um atraso devido o prédio ter sido fechado pelo Governo devido o não pagamento dos impostos conforme mostra as fotos.
    A universidade que não respeita os direitos dos acadêmicos, tem cerca de 90% de brasileiros que a mantem na fronteira. Denunciam ainda que a gerencia não repassa os problemas para os proprietários em Cochabamba e podem realizar um manifesto a qualquer momento.
    Papel mostra cobrança de duas mensalidades num prazo de 10 dias.
    Papel mostra cobrança de duas mensalidades num prazo de 10 dias.