quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cassação de CRM de médico acreano pode levar Policia Federal a um esquema de revalidação falsa de diplomas com profissionais recém-formados na Bolívia

Cassação de CRM de médico acreano pode levar Policia Federal a um esquema de revalidação falsa de diplomas com profissionais recém-formados na Bolívia

13 de agosto de 2012 - 4:49:18
O médico acreano Anderson Luiz Rola da Silva teve seu CRM cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Tocantins depois de apresentar documentação irregular no que tange a revalidação dos seus documentos de graduação no Brasil. O médico aceitou gravar entrevista com o ac24horas e disse que é vitima de uma quadrilha que age na revalidação de diplomas em todo o Brasil. A apostila de revalidação apresenta carimbos e assinaturas com selo de autenticidade da Universidade Federal do Ceará. “Eu e mais onze profissionais fomos vitimas desse esquema”, revelou o médico acreano.
A conversa foi gravada durante um almoço em um restaurante da capital. Anderson foi acompanhado de sua esposa e a filha, mas estava bastante nervoso. “Não sei se a Policia Federal está atrás de mim, mas estou disposto a colaborar porque sou vitima nesse processo”, comentou.
Anderson conta que após a conclusão do curso, deu entrada no Consulado Brasileiro no programa analítico e no histórico de notas, processo que autentica a documentação retirada da Bolívia e que verifica as condições do visto de estudante e a legitimidade da documentação junto à Faculdade.
O ESQUEMA ACONTECEU TODO VIA INTERNET
No Brasil, Anderson conta que foi orientado por um amigo [cujo nome ele garante revelar apenas em juízo] que “facilitaria” os serviços para revalidação no Estado de Goiás. Ainda segundo o médico, ele não desconfiou da fraude porque recebia documentos com carimbos e assinaturas dos reitores da Universidade Federal do Ceará. “Todos os documentos foram enviados e recebidos via Sedex, não tinha como desconfiar de nada”, argumentou.
A apostila de revalidação foi encaminhada ao médico no dia 04 de maio de 2012. Consta no documento o registro sob o nº 1250, livro E-25, fls 214, processo nº 24998/12-89, de acordo com o Art. 48, inciso 2º da Lei 9394/96 e foi assinado por Maria Cristina de Figueiredo Monteiro, diretora da divisão de Memória e Documentação [UFC] e o reitor Jesualdo Pereira Farias [ver fac-símile].
No dia 14 de maio o Conselho Regional de Medicina de Goiás certificou o registro do médico Anderson Luiz com número 16552/GO, ele também conseguiu registro no Conselho Regional de Medicina de Tocantins, dia 14 de junho de 2012, sob o número 2998/TO.
A DESCOBERTA DA FRAUDE:
Formado pela Universidade particular de Medicina da Bolívia, Anderson chegou a ser nomeado como diretor clinico do Hospital Municipal Hermínio Azevedo Soares, na cidade de Formoso do Araguaia, cerca de 330 km de Palmas.
A documentação do médico só foi colocada sob suspeita após a constatação de veracidade nas informações do seu diploma a partir do envio dos documentos pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás para a Universidade Federal do Ceará (UFC), suposta instituição onde o médico acreano teria realizado o teste de revalidação.
Mas, segundo o ac24horas apurou, a investigação pela Policia Federal iniciou com a cassação do registro de um dos doze médicos citados por Anderson. Ele não revelou o nome do primeiro profissional que teve o diploma cassado. Computadores e documentos da Universidade Federal do Ceará foram levados pela Policia Federal do Estado do Ceará, que apura a formação de quadrilha. Ainda de acordo informações apuradas, as assinaturas que constam no diploma não eram condizentes com a do diretor e do setor administrativo da instituição. A partir da constatação, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás suspendeu o exercício da profissão do médico no Brasil.
A RESPOSTA DA UNIVERSIDADE:
No início da tarde o ac24horas entrou em contanto com a Universidade, através de sua assessoria informou que o médico acreano não se inscreveu para o processo de revalidação. Informa ainda que os processos não foram protocolados na Universidade Federal do Ceará. Além disso, a Universidade afirmou que as assinaturas não são verdadeiras e que o selo também não pertence à Universidade.
O médico foi notificado dia 23 de julho. Anderson não apresentou documentação regularizada dentro do prazo estipulado pelo CRM. O prazo venceu na última sexta-feira (10). Ele disse ao ac24horas que o documento lhe foi entregue no último dia do prazo para a comprovação dos seus documentos.
Procurado, o Conselho Regional de Medicina não deu respostas até a edição desta matéria.
 Da redação de ac24horas
Rio Branco, Acre

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