quarta-feira, 11 de maio de 2011

Abundância de cocaína torna AC produtor de crack e oxi

PF diz que como a droga é produzida dentro do próprio Estado, não há como apreendê-la em circulação
Crack_dentro_centro_23Dependentes químicos preparam pedra de crack em casa abandonada no centro de Rio Branco, no dia 7 de abirl passado; local foi interditado (Foto: Lenilda Cavalcante/Agazeta.net)A grande quantidade de cocaína em suas formas mais básicas tem tornado o Acre um produtor potencial de oxi e crack. Esta última, entretanto, por sua composição mais complexa é produzida em quantidade menor, mas não deixando de existir no mercado negro das drogas. 

A informação é da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, e contrasta com a afirmação do governo acreano de que não existe o crack no Estado. 

A declaração do governo é uma resposta à reportagem de agazeta.net que divulgou estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), mostrando o despreparo das cidades do Estado para lidar com o problema do crack.  

De acordo com o delegado Maurício Moscardi Grillo, titular da DRE/PF, a instituição não tem registro de apreensão de crack. O motivo é simples: como a droga é produzida dentro do próprio Estado, não há como apreendê-la em circulação, se caracterizando, assim, o tráfico. 

Como polícia de fronteira, a PF tem obtido mais êxito na apreensão de drogas em estradas, aeroportos e portos. De acordo com o delegado, o tráfico do crack e oxi em pedra causaria prejuízos às quadrilhas, já que seria mais fácil de detectar . 

Tanto o crack como o oxi tem como “matéria-prima” a cocaína, mas suas composições e processos de fabricação são distintos. O crack demanda um conhecimento maior de química para a composição. 

Já o oxi pode ser fabricado a partir de qualquer boca de fumo, o que diminui seus custos e preço de revenda, tornando-se acessível a um universo maior de usuários. 

Enquanto o crack chega a ter 60% de cocaína em sua fórmula, no oxi se chega a 80%. 

Acre tem defasagem de leitos para recuperação de viciados
O Acre não conta com leitos suficientes para atender a demanda de viciados em drogas. O ideal, de acordo com o médico José Rosa Paolino, é que o Estado contasse com ao menos 30 leitos. Hoje esse número está em 7. Paolino é diretor-geral do Hosmac. 

Além disso, a quantidade de psiquiatras é pequeno. Há apenas 5 deles para atender uma população de quase 700 mil. Segundo Paolino, hoje há muitas dificuldades para a rede pública prestar assistência aos dependentes químicos. 

Existe carência de outros profissionais, como assistentes sociais e psicólogos. A aposta na melhoria do atendimento está na conclusão das obras do Pronto Socorro, onde funcionará o Hospital de Álcool e Droga. 

Hoje o atendimento acontece no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac). (Com reportagem de Paula Amanda)
fonte:agazetanet

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