sábado, 12 de fevereiro de 2011

Prefeitura de Porto Acre é acusada de construir pontes com castanheiras

Porto Acre
12/02/2011 12:44 - Atualizado em 12/02/2011 13:33
Prefeitura de Porto Acre é acusada de construir pontes com castanheiras
Um morador da região confessou que um de seus cunhados foi contratado pela prefeitura de Porto Acre para retirar a castanheira e fazer a ponte.
Adailson Oliveira
O crime foi denunciado pela TV Gazeta/Imagens: Josué Martins
O crime foi denunciado pela TV Gazeta/Imagens: Josué Martins
Pontes do ramal do Caquetá no município de Porto Acre, há 60 quilômetros de Rio Branco, estão sendo construídas com madeira retirada de Castanheiras. A constatação foi feita nesta quinta-feira quando fiscais do Ibama uma equipe de reportagem da TV Gazeta foram apurar uma denúncia. No local não foram encontrados os trabalhadores, mas as obras são de responsabilidade da Prefeitura de Porto Acre, que está recuperando as pontes.
Logo na entrada da linha 1 encontramos a primeira ponte feita de castanheira. Os fiscais não tiveram muito trabalho para identificar a madeira, a coloração e uma resina escura indicavam que a madeira era castanheira. 70 pranchas de 4 metros foram cortadas com motosserra. A parte de baixo também era uma castanheira cortada ao meio, uma árvore inteira foi usada para fazer a ponte.
No ramal da linha 4 encontramos a segunda ponte com  as mesmas características,  mais uma castanheira foi derrubada. O modelo de construção indicava que foi a mesma pessoa que construiu.
Um morador da região confessou que um de seus cunhados foi contratado pela prefeitura de Porto Acre para retirar a castanheira e fazer a ponte reclamou: “Ele ficou dois meses para receber o pagamento, e, cortou a castanheira, próximo da ponte”. Depois da conversa ele indicou onde havia outras obras.
Prefeito José Maria diz que não sabia que a madeira utilizada na construção das pontes era castanheira
Prefeito José Maria diz que não sabia que a madeira utilizada na construção das pontes era castanheira
Novos crimes
Decidimos continuar a viagem, desta vez  no ramal principal do Caquetá que interliga a região do sul do Estado do  Amazonas com a cidade de Porto Acre. Não demorou muito para os fiscais descobrirem mais indícios do crime ambiental. Na Terceira ponte encontrada, as pranchas estavam na cabeceira da ponte, prontas para serem colocadas no vão da passarela. Eram 31 peças de 4 metros. Na área não foi encontrado nenhum trabalhador nem quem levou a madeira.
Os fiscais do IBAMA  notaram que as peças foram serradas  a pouco tempo e desconfiaram que são castanheiras secas, aquelas que já morreram, mesmo assim seu corte é proibido, é preciso autorização do órgão ambiental para derrubá-las.
Em mais quatro quilômetros veio a quarta ponte. Mais 51 pranchas de castanheira, todas de quatro metros, prontas para fazer a parte superior da ponte. A castanheira tem madeira resistente e de fácil manejo, por isso é a preferida na hora de fazer uma construção. Os madeireiros geralmente fazem as peças para revenda no local onde a árvore foi derrubada, fica mais fácil transportar para o local da obra. O crime é comum na região onde tem castanhais, a diferença do Caquetá é que crime está sendo cometido pela prefeitura. O corte da castanheira é crime federal, um crime ambiental incalculável e inexplicável.
Quando estávamos para chegar em Porto Acre encontramos mais madeira de castanheira. Desta vez a ponte já estava concluída.  51 pranchas foram usadas.  Com aparelhos GPS e máquinas fotográficas, os fiscais do IBAMA registraram tudo e foram direto á prefeitura do município.
Documentos compovam as denúncias
Documentos compovam as denúncias
Quando o crime é do poder público
O prefeito de Porto Acre, José Maria Rodrigues recebeu uma notificação e vai ter que se apresentar na próxima quinta-feira ao chefe da fiscalização do IBAMA Adalberto Dourado, que recebeu a denúncia e foi investigar, e pode multar o prefeito de R$ 5 mil a R$ 20 mil por árvore.
O prefeito José Maria Rodrigues do PT informou que não sabia que a madeira usada era castanheira, apenas colaborou com a obra repassando pregos e combustíveis para os moradores da região que fizeram o serviço. “não tenho ideia do material usado, apenas ajudei os produtores”, indagou.
A desculpa do prefeito José Maria pouco vai adiantar para o IBAMA, o fiscal Evandro Bayer que preparou a notificação disse que a obra é de responsabilidade da prefeitura, e mesmo que sela tivesse apenas  ajudado, era obrigada a fiscalizar.
Violência ao meio ambiente
A região do Caquetá é rica em castanheiras que chegam a atingir  60 metros de altura e sua base pode chegar 4 metros de diâmetro. Com as pastagens os campos foram abertos e centenas delas estão morrendo, sem a vegetação ao seu redor a castanheira não resiste. Muitas delas são cortadas dentro da mata e vendidas clandestinamente, o pior mesmo é quando o crime é cometido por quem deveria protegê-las, no caso, o poder público.
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