sexta-feira, 16 de julho de 2010

PELA ALIMENTAÇÃO FAMILIAR, MULHER MATA ONÇA QUE TENTOU "ROUBAR" SUA CAÇA

Fato aconteceu no Projeto Tocantins, em Porto Acre. Caçadora diz que foi a primeira onça que matou e só o fez pela necessidade de alimentar seus filhos.
A vida na floresta não é tão fácil como muitas pessoas pensam. Quem mora na zona rural tem que trabalhar bastante na agricultura para conseguir alimentar a família, e ainda arriscar a vida na mata caçando animais silvestres para complementar a alimentação.
Na maioria das propriedades rurais quem sai à noite ou na madrugada para caçar são os homens, mas em alguns lugares da extensa floresta amazônica as mulheres também cumprem essa tarefa.
A dona de casa Odeiza Oliveira de Souza, 38 anos, casada, mãe de três filhos, moradora do Projeto Tocantins, em Porto Acre, enfrenta a escuridão da mata em busca de alimento desde os dez anos de idade. Ela conta que suas caças preferidas são as pacas, cutias, tatus e os veados.
Para matar a caça, Odeiza sobe em árvores como a Gameleira, o Cajuzinho ou o Copinho e fica na espera. Quando o animal se aproxima para comer os frutos, ela atrai sua atenção com uma lanterna e dispara a espingarda.                                                                                                                                              Há cerca de um mês a caçadora matou uma onça pintada que tentou roubar uma paca que ela havia abatido debaixo de um pé de Copinho. – Depois que atirei na paca eu já ia descendo da árvore quando ouvi um rosnado. Foi aí que percebi ter a companhia de uma onça que pesava uns 40 quilos – conta.
Ela diz que ficou em cima da árvore por algum tempo esperando que a onça fosse embora, mas a mesma partiu para pegar sua caça. – Não podia perder a comida dos meus filhos, e ainda correr o risco de ser morta por uma pintada, então tive que atirar – relata.
A caçadora garante que foi a primeira vez que matou uma onça. – Não mato nenhum animal só por matar. Só caço aqueles que servem de alimento para a minha família, e sou contra a venda de carne de animais silvestres – explica.
Wânia Pinheiro, da Agência ContilNet.

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