quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FAAZENDEIRO MANTINHA TRABALHADORES ESCRAVOS

Com tantas irregularidades na fazenda, o procurador do MPT recomendou a saída imediata dos trabalhadores e notificou o proprietário para realizar o pagamento dos direitos trabalhistas.
Freud Antunes

Os representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) flagraram na sexta-feira sete pessoas em condições análogas ao trabalho escravo em uma fazenda na estrada de Porto Acre.

De acordo com o procurador do Trabalho, Everson Rossi, enquanto o sal para o gado era armazenado em uma casa de alvenaria, os trabalhadores eram obrigados a dividir um barraco de madeira que não possuía energia elétrica nem água encanada.

“No local não existiam móveis, então as pessoas utilizavam colchões que elas mesmas traziam para poder dormir. A água de beber vinha de uma cacimba que apresentava coloração opaca”, afirmou o representante do MPT. No flagrante, o procurador ainda constatou que os trabalhadores aplicavam venenos sem a utilização de equipamentos de proteção.

“Os trabalhadores laboravam na aplicação de defensivo agrícola que eles chamavam de azul, um potente mata-mato, sem nenhuma máscara, luva, bota, treinamento para seu uso ou descarte da embalagem”, detalhou.

Toda a atividade desenvolvida na fazenda era paga por meio de empreitada, ou seja, por produção que chegava a R$ 1,5 mil por mês, valor que era dividido por todos que estivessem realizando as benfeitorias. Os trabalhadores vinham ainda acompanhados de toda a família que era obrigada a dividir o mesmo casebre, o que é ilegal.

Com tantas irregularidades, o procurador recomendou a saída imediata dos trabalhadores e notificou o proprietário para realizar o pagamento dos direitos trabalhistas. As pessoas que realizavam a atividade degradante receberão seguro-desemprego.De acordo com Everson, o nome da fazenda e do proprietário não foram revelados para não prejudicar o inquérito que está sendo aberto.

Na operação, o MPT contou com o apoio de auditores da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego (MPT) e da Polícia Federal que realizou a segurança dos fiscalizadores. (Freud Antunes)
Fonte:Jornal a Tribuna.

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