sábado, 21 de junho de 2008

GOVERNO REAJUSTA EM 200% A TAXA DE EXPORTAÇÃO DO BEZERRO




Cezar Negreiros Apesar da reclamação do setor pecuário, o governo do estado aumentou em 200% a taxa da pauta de exportação do bezerro vivo para outros estados da Federação. Esta medida protecionista, segundo os representantes das redes frigoríficas, busca regular o estoque do rebanho destinado ao mercado de gado de corte. Com isso, por cada cabeça de bezerro, os compradores rondonienses e matogrossenses terão que pagar em tributos aproximadamente R$ 40,00 (quarenta reais), anteriormente, o valor desembolsado não passava de R$ 12,00 (doze reais). Num lote de 100 animais, o comprador desembolsará a quantia de R$ 4.000 (quatro mil reais), que corresponde por dez bezerros. “A medida amarga, prejudicará os pequenos produtores que contam com os bezerros com uma alternativa de renda”, comentou o pecuarista Idalcir Dallamaria, superintendente regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar.Segundo ele, esta medida restritiva começará refletir no próximo ano, durante a apartação do rebanho bovino. Sem a participação dos outros compradores de outras praças, os bezerros (desmamados) não terão os preços majorados, por conta da lei da oferta e procura. Com o excedente de bezerros na praça, o preço cairá automaticamente, fazendo com que muitos pecuaristas comercializam as suas matrizes, para não tomar prejuízo com o lote de bezerros. “Espero que a minha análise esteja equivocada, porque o setor amargará com esta medida protecionista”, observou o pecuarista.Estatística - Dados do último censo agrário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE apontou que 96% dos pecuaristas acreanos têm um rebanho bovino, estimado em torno de 500 cabeças. Somente 4% têm um rebanho que gira em torno de mil a dez mil cabeças, conforme os dados disponibilizados pelos pesquisadores do IBGE.Em contrapartida, uma pesquisa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre – Faeac revelou que 84,4% das propriedades rurais (num universo de 15.700 pecuaristas) o rebanho não passa de 100 animais. Diante dos números, o agrônomo do Senar estima que o rebanho de bezerros ano chegue a casa dos 840 mil animais. Sendo que somente 40% são machos, enquanto o restante, que corresponde por 60% são fêmeas, que regulamenta o rebanho das vacas descartadas, para os matadouros. “Os dados apontaram que não há risco de reposição do rebanho destinado a atividade do gado de corte”, explicou o agrônomo, que comercializa os bezerros, por conta do limite da sua propriedade rural, para o aumento do rebanho. Dallamaria contou ainda que o estado do Acre possui um rebanho estimado em torno de 2,6 milhões de cabeças. O gado criado em propriedades extensivas, representa mais de 90% do rebanho, com uma taxa de natalidade estimada em torno de 70%, que faz com que cada 100 vacas mantidas em pastagem, somente 70 delas dão cria todos os anos.
O restante dos 10% que faz parte do rebanho inseminado, esta taxa de natalidade pula para 90%, fazendo que de cada dez vacas inseminadas, nove dêem cria no ano seguinte. Com o cenário, ele não acredita que o rebanho esteja ameaçado de reposição, porque o gado de corte leva uma média de dois anos para chegar aos currais dos frigoríficos. Decisão acertada No ano passado, segundo o pecuarista Ilson Esquerdo, o bezerro desmamado acreano, custava na praça cerca de R$ 200,00 (duzentos reais). Com a descoberta da cotação do rebanho, os compradores de outras praças (Mato Grosso e Rondônia) inflacionaram o mercado, porque este ano, o bezerro pulou para a casa dos R$ 400,00 (quatrocentos reais). Diante deste desequilibro, por conta da bolha especulativa, o poder público resolveu aumentar a taxa de exportação, que custava R$ 12,00 (doze reais), para R$ 40,00 (quarenta reais). “A medida do governo é elogiável”, destacou Ilson Esquerdo. O pecuarista explicou que a exportação do bezerro acreano para outras praças, prejudicaria a atividade de reposição do rebanho do gado de corte. Ele contou que os pecuaristas que estão com os animais chegando no ponto de serem abatidos, precisarão adquirir novos lotes bezerros, para fazer a reposição do rebanho. Com a bolha de especulação, os criadores tinham prejuízos, porque o bezerro estava mais caro na praça. Esta decisão do governo do estado garantirá a matéria – prima necessária, para o funcionamento das redes frigoríficas que instalaram nos municípios acreanos. Como resultado, geração de mais emprego e renda nos municípios que estão apostando na cadeia produtiva do gado de corte. “Com a venda do bezerro para outras praças (Rondônia e Mato Grosso), os postos de trabalho migraria para estas outras regiões”, observou o pecuarista.Segundo ele, com o aquecimento do setor do gado de corte, por conta das exportações, à cabeça do bezerro com seis arroubas chegou à casa dos R$ 800,00 (oitocentos reais), nos leilões ocorridos na cidade de Dourados no Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, o bezerro acreano tem sido ofertado na praça acreana em torno de R$ 450,00 (quatrocentos e cinqüenta reais). Mas o pecuarista destacou que um touro com 18 meses, chega a casa de 18 arroubas. Esta precocidade é somente alcançada pelos criadores de gado confinado, na região Sudeste. “Temos que garantir que o bezerro continue em nossa região”, finalizou o pecuarista.
"JORNAL O RIO BRANCO"

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